Will Jardim

MaryRuth's: como uma marca de suplementos de US$ 100 milhões transformou clientes fiéis em canal de aquisição

Por Will Jardim · Publicado em · Atualizado em · 6 min de leitura

A MaryRuth's Organics, marca americana de vitaminas e suplementos fundada em 2014 por MaryRuth Ghiyam, passou de US$ 100 milhões de faturamento anual em sete anos, sem nenhum investidor externo. O motor de aquisição dela não foi celebridade do Instagram nem campanha milionária de agência: foi transformar os próprios clientes fiéis em criadores de conteúdo e embaixadores da marca. O canal de vendas mais poderoso dela é alimentado por quem já compra.

Neste artigo, eu destrincho o caso, os números verificados e o mecanismo que faz o cliente recorrente converter mais do que influenciador pago, além de como aplicar isso na sua marca.

O caso MaryRuth's: do endividamento ao império sem investidor

MaryRuth Ghiyam começou como consultora de nutrição, carregando US$ 700 mil de dívidas da família, e fundou a marca em 2014 vendendo um multivitamínico líquido para os próprios clientes da clínica e na Amazon. Sete anos depois, a empresa cruzava a marca de US$ 100 milhões de receita anual, bootstrapped, ou seja, sem capital de fora.

O crescimento não veio de mídia tradicional. A operação de marketing da MaryRuth's é movida a conteúdo de criadores e clientes reais: a marca mantém um programa de embaixadores aberto aos próprios consumidores, que ganham comissão, produtos e espaço no conteúdo oficial. A lógica da jogada é absurdamente simples: em vez de perguntar "qual influenciador famoso a gente contrata?", a marca olha para quem mais compra e pergunta, na prática, "você quer ser o rosto da nossa marca?".

Os números da MaryRuth's

DadoNúmeroFonte
Fundação da marca2014, por MaryRuth GhiyamForbes
Dívida da fundadora antes da empresaUS$ 700 milFoundr
Faturamento anual em 7 anosmais de US$ 100 milhões, sem investidor externoForbes
Post orgânico de uma embaixadora3 milhões de viewsLumanu
Mesmo post após amplificação paga50 milhões de viewsLumanu

Repare no último par de números: o conteúdo nasceu orgânico, de uma embaixadora real, e a marca colocou mídia paga em cima do que já tinha provado que funcionava. A verba de mídia não cria a mensagem; ela escala a mensagem que o cliente criou.

Por que o cliente fiel converte mais que o influenciador pago

Aqui está o mecanismo, e é o padrão que eu vejo se repetir em toda marca que acerta esse jogo. Pensa comigo: o cliente que compra há meses, de forma recorrente, compra porque o produto resolve uma dor real para ele. Quando ele fala do produto, fala com verdade, não por cachê, não por contrato. E o público sente a diferença entre quem está sendo pago para falar e quem está falando porque funciona. É essa percepção que faz a conversão ser exponencialmente maior.

E tem um segundo efeito que a maioria das marcas não enxerga. Quando esse cliente começa a criar conteúdo, ele atrai quem o segue. E quem segue uma pessoa comum tem interesses similares aos dela: é o mesmo perfil de consumidor. A marca não está só gerando conteúdo, está construindo uma fábrica de aquisição de clientes altamente qualificados, porque cada embaixador filtra a audiência por semelhança.

O maior influenciador da sua marca já existe. Ele já comprou de você várias vezes.

Enquanto isso, aqui no Brasil, a maioria das marcas ainda olha para o influenciador com 2 milhões de seguidores como a principal estratégia de aquisição. Paga uma fortuna por um story que some em 24 horas, atinge um público sem filtro e não consegue nem rastrear o resultado. O erro não é usar influenciador: é ignorar que o embaixador mais crível está na sua base de clientes, e ele custa comissão e produto, não cachê de celebridade.

O que os números não contam

Honestidade intelectual: a MaryRuth's não cresceu só de embaixador. A marca sustenta um ecossistema inteiro: a fundadora como rosto constante do conteúdo, operação forte na Amazon, e mídia paga amplificando o conteúdo dos criadores (os 50 milhões de views vieram com tráfego pago por trás). Cliente embaixador é o motor de credibilidade, não uma mágica que dispensa o resto da operação.

E os relatos sobre o programa vêm, em boa parte, da própria marca e de parceiros de marketing dela. O que dá para afirmar com segurança é a arquitetura: recrutar clientes reais como criadores, pagar em comissão e produto, e escalar com mídia o que nasceu orgânico. Essa arquitetura, qualquer marca pode copiar.

Como transformar seus clientes em canal de aquisição

Isso não é marketing de relacionamento. É posicionamento conectado com quem já acredita em você. Três passos para começar:

  1. Você sabe quem são seus 50 melhores clientes? Puxe a lista de quem mais comprou nos últimos 12 meses, por valor e por recorrência. Se você nunca olhou esse relatório, seu maior ativo de marketing está invisível dentro do seu próprio CRM.
  2. Você já perguntou algo além de "quer comprar de novo"? Mande mensagem direta para essa lista convidando para ser o rosto da marca. Ofereça comissão, produto e destaque no seu conteúdo oficial, não cachê de celebridade.
  3. Você escala o que o cliente cria? Quando um conteúdo de embaixador performar organicamente, coloque mídia paga em cima dele, como a MaryRuth's fez ao levar um post de 3 para 50 milhões de views. O cliente cria a prova; a verba distribui a prova.

A pergunta que fica é simples: você já sabe quem são os seus clientes que mais compram, e já parou para perguntar a eles alguma coisa além de "quer comprar de novo"?

Perguntas frequentes

O que é a MaryRuth's Organics?

A MaryRuth's Organics é uma marca americana de vitaminas e suplementos fundada em 2014 por MaryRuth Ghiyam, que passou de US$ 100 milhões de faturamento anual em sete anos sem investidor externo. O crescimento foi puxado por conteúdo de criadores e por um programa que transforma os próprios clientes em embaixadores remunerados por comissão.

Por que cliente fiel converte mais que influenciador pago?

Porque o cliente recorrente fala do produto com verdade: ele compra porque o produto resolve uma dor real, não porque recebeu cachê. O público percebe essa diferença, e a recomendação autêntica converte mais. Além disso, os seguidores desse cliente tendem a ter o mesmo perfil de consumo, o que qualifica a audiência atraída.

Como criar um programa de embaixadores com clientes?

Comece puxando a lista dos clientes que mais compraram nos últimos 12 meses e convide cada um, por mensagem direta, para ser o rosto da marca. Remunere com comissão, produtos e destaque no conteúdo oficial, e amplifique com mídia paga os conteúdos que performarem organicamente.

Programa de embaixadores substitui influenciadores e mídia paga?

Não substitui, reposiciona. No caso da MaryRuth's, os embaixadores geram a credibilidade e a prova social, mas a marca segue usando a fundadora como rosto, operação em marketplace e tráfego pago para escalar o que nasce orgânico. O embaixador cria a mensagem; a mídia distribui.