Mayk Leão, um influenciador rural de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, filmou na noite de 31 de maio o que descreveu como um OVNI pairando sobre a propriedade onde vive. Em poucos dias, a conta dele saltou de cerca de 40 mil para mais de 1,3 milhão de seguidores, até bater a marca de 2 milhões no Instagram. Ele roubou o que há de mais valioso: a sua atenção, e a de milhões de pessoas. O que importa não é se o que ele filmou é um disco voador ou um drone. É o mecanismo por trás da explosão, e como você pode usar esse mecanismo na sua marca.
Neste artigo, eu destrincho o caso, os números e as três alavancas que explicam por que isso aconteceu: ponto em comum universal, storytelling com destino e polarização.
O caso Mayk Leão: do sítio ao feed de milhões
Antes do vídeo, Mayk Leão era um criador de conteúdo rural com audiência de nicho. Depois de relatar que os animais da chácara ficaram agitados antes do surgimento de uma grande estrutura luminosa no céu, o vídeo correu o país. Em poucos dias ele passou de 1,3 milhão de seguidores, ganhou apoio público de celebridades como Yasmin Brunet e atingiu 2 milhões de seguidores no Instagram.
Ninguém precisou provar nada. A dúvida era o produto. E é exatamente por isso que o caso interessa a quem constrói marca.
Os números do fenômeno
| Dado | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Seguidores de Mayk Leão antes do vídeo | Cerca de 40 mil | O Tempo |
| Seguidores após a viralização | 2 milhões no Instagram | Bandab |
| Data do episódio em Campo Largo (PR) | Noite de 31 de maio | Jornal de Brasília |
| Clientes do Nubank no Brasil | Mais de 112 milhões, maior instituição financeira privada do país | Nubank (dados do Banco Central) |
| Valor de mercado do Nubank (jan/2026) | Ultrapassou US$ 90 bilhões | Finsiders Brasil |
O Nubank entra nessa tabela por um motivo que vai ficar claro daqui a pouco: ele é a prova de que a mesma mecânica que explodiu a conta de um influenciador rural também constrói uma das empresas mais valiosas da América Latina.
O mecanismo: as três alavancas que eu vejo no caso
Como estrategista de conteúdo, o padrão que eu vejo se repetir em toda viralização com essa escala tem três camadas. Nenhuma delas depende de OVNI.
A primeira é o ponto em comum universal. Vida fora da Terra não é nicho: é uma pergunta que une bilhões de pessoas, de cético a ufólogo. Na sua marca, a tradução é direta: qual é a dor ou o desejo que une todo o mercado de pessoas que pode consumir o seu produto, e não só a sua bolha?
A segunda é o storytelling com destino. A história do Mayk tinha personagem, ruptura na narrativa e final em aberto, e o cérebro humano não desliga de uma história incompleta. Mas repare: o Mayk viralizou sem ter um produto esperando no final da história. A Virginia Fonseca fez o movimento completo antes de lançar o whey protein da WePink: semanas documentando a rotina, a dieta, a dificuldade de bater a meta de proteína, e no fim apresentou o produto como desfecho da narrativa. Storytelling sem oferta é entretenimento. Na sua marca, a história precisa ter um destino.
A terceira, e talvez a mais poderosa, é a polarização. Os haters do Mayk ajudaram a crescer a conta dele, porque o algoritmo entrega o conteúdo para os dois lados da briga. O Nubank viveu a mesma dinâmica em outra escala: quando surgiu, muita gente decretou que banco sem agência e sem gerente não iria durar, e essa rejeição alimentou anos de debate nas redes. Hoje o roxo tem mais de 112 milhões de clientes no Brasil.
Ficar em cima do muro é tomar pedrada dos dois lados.
Quando você se posiciona com intenção, você vira assunto. E quem vira assunto, vende.
O que os números não contam
Três ressalvas honestas. Primeira: a viralização teve custo. Depois do vídeo, Mayk relatou ataques virtuais e ameaças, incluindo ofensas à sua sexualidade. Polarização amplifica tudo, inclusive o ódio, e quem entra nesse jogo precisa estar preparado. Segunda: pico de seguidores não é negócio. Dois milhões de seguidores sem oferta no destino da história valem menos do que 20 mil com funil montado. Terceira: a leitura de que o Nubank "usou" a polarização é minha, de estrategista observando o padrão. A rejeição ao modelo sem agência era real e o banco soube surfar o debate, mas não existe documento oficial dizendo que isso foi planejado como tática.
Como aplicar na sua marca
Três perguntas para testar se o seu conteúdo tem a mecânica do caso, sem precisar apontar câmera para o céu:
- Qual pergunta universal o seu conteúdo toca? Se o tema só interessa a quem já te segue, ele não tem teto de crescimento. Procure a dor ou o desejo que une o mercado inteiro.
- A sua história tem destino? Personagem, ruptura e final em aberto prendem a atenção, mas é a oferta no desfecho que transforma audiência em receita. O que espera o seu público no fim da narrativa?
- Você tem coragem de escolher um lado? Posicionamento com intenção gera debate, e debate é distribuição gratuita. Só entre na briga cuja resposta favorece a sua marca, e sabendo que o outro lado vai responder.
A pergunta que fica: a sua marca tem coragem de escolher um lado, ou prefere continuar invisível no meio do consenso?
Perguntas frequentes
Quem é Mayk Leão?
Mayk Leão é um influenciador rural de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba (PR), que viralizou depois de publicar, na noite de 31 de maio, um vídeo relatando um suposto OVNI sobre a propriedade onde vive. A conta dele saltou de cerca de 40 mil para mais de 1,3 milhão de seguidores em poucos dias, chegando a 2 milhões no Instagram.
O vídeo do OVNI de Mayk Leão era verdadeiro?
Não há confirmação independente do que foi filmado, e é exatamente esse o ponto: a dúvida sustentou o debate, e o debate distribuiu o conteúdo. Para efeito de estratégia de marca, importa menos o objeto no céu e mais o mecanismo de atenção que o caso escancarou.
O que é storytelling com destino?
É a narrativa construída para terminar em uma oferta: personagem, ruptura e tensão que se resolvem na apresentação de um produto ou serviço. Foi o que a Virginia Fonseca fez ao documentar a própria dieta antes de lançar o whey protein da WePink. Sem esse destino, a história gera entretenimento, não receita.
Polarização funciona para qualquer marca?
Funciona quando a marca escolhe um posicionamento real e sustenta o debate que ele gera, como o Nubank fez ao defender o banco sem agência contra os céticos. Não funciona como provocação vazia: polarizar sem substância atrai crise, não cliente. A regra prática é só comprar a briga cuja resposta favorece o seu produto.