Will Jardim

YouTube como canal de vendas: a maior fábrica de clientes evergreen que as marcas de suplementos ainda ignoram

Por Will Jardim · Publicado em · Atualizado em · 7 min de leitura

Câmera montada em tripé em um estúdio minimalista de gravação de vídeo.
Foto: Brandi Alexandra/Unsplash

O YouTube tem 2,7 bilhões de usuários ativos no mundo e 144 milhões no Brasil, o terceiro maior público da plataforma no planeta, com 8 em cada 10 usuários brasileiros acessando pelo menos uma vez por dia. Para uma marca, isso significa duas coisas: um buscador gigante onde o cliente pesquisa a dor que o seu produto resolve, e um acervo de vídeos que continua vendendo anos depois de publicado. A tese deste artigo: o YouTube é a maior fábrica de vendas evergreen que existe, e a maioria das marcas de suplementos ainda o trata como entretenimento.

Neste artigo, eu destrincho os números da plataforma no Brasil, o caso que eu vivi na prática ao lado do Fernando Sardinha e o mecanismo que faz um vídeo de 4 anos atrás ainda pingar venda hoje.

Por que o YouTube é um canal de vendas, não de entretenimento

Eu sou suspeito para falar desse canal, porque foi justamente nele que comecei a fazer meu dinheiro. O YouTube foi um mega holofote para a carreira do meu querido Fernando Sardinha, e a partir dele alavancamos muitos negócios. Com uma estratégia que desenvolvemos junto com o Coach Rubens, um único produto vendeu mais de 35 mil protocolos de treinamento. Sem tráfego pago. E até hoje, vez ou outra, ainda pinga uma venda vinda de um vídeo postado há mais de 4 anos.

O dado estrutural que sustenta isso: o YouTube é tratado no mercado como o segundo maior buscador do mundo, atrás só do Google. E o Google é dono do YouTube. Quando alguém pesquisa "como ganhar massa muscular" ou "qual suplemento tomar para emagrecer", os vídeos aparecem também nos resultados do Google. Uma marca que produz o conteúdo certo ocupa dois lugares ao mesmo tempo, sem pagar nada a mais por isso.

Os números que ninguém olha

DadoNúmeroFonte
Usuários ativos mensais do YouTube no mundoMais de 2,7 bilhõesGlobal Media Insight
Usuários do YouTube no Brasil144 milhões, terceiro maior público do mundoTeletime (pesquisa Opinion Box)
Brasileiros que acessam o YouTube todo dia8 em cada 10 usuáriosTeletime (pesquisa Opinion Box)
Usuários que passam mais de 5 horas semanais na plataforma47%Teletime (pesquisa Opinion Box)
Marca mais engajada do YouTube Brasil em janeiro de 2024Growth Supplements, com 636 mil engajamentos no mêsMercado&Consumo

Repare no último dado. A marca de suplementos líder do país não foi a mais engajada do YouTube Brasil por acaso: ela superou nomes como Guaraná Antarctica e Mercado Livre em um ranking dominado por gigantes de outros setores. Na minha leitura, isso mostra onde a Growth decidiu construir audiência. Isso não é rede social de entretenimento. Isso é infraestrutura de atenção.

O mecanismo: conteúdo que não expira

Deixa eu ser direto sobre o erro que eu mais vejo. A maioria das marcas de suplementos posta um vídeo aqui, outro ali, sem estratégia, sem intenção de aquisição. Aí olha para o resultado e conclui: "YouTube não funciona pra mim". O problema não é o canal. É a forma como você está usando.

O padrão que eu vejo se repetir nas marcas que investem fortunas em tráfego pago é o do aluguel: o anúncio some quando o dinheiro acaba. No YouTube, o jogo é de patrimônio. Você produz um vídeo hoje respondendo a uma pergunta que o seu cliente sempre faz, e ele pode continuar gerando clientes daqui a 3, 4 anos. Isso tem nome no marketing: conteúdo evergreen, o conteúdo que não expira porque responde a uma dor que não expira.

O YouTube não é só entretenimento. É canal de busca, de aquisição, de autoridade e de vendas de longo prazo.

A mecânica é simples de descrever e rara de executar: mapear as perguntas que o público digita no buscador, responder cada uma com profundidade em vídeo, e conectar cada vídeo a uma oferta. Foi exatamente isso que fizemos na estratégia dos 35 mil protocolos: nenhum vídeo era "conteúdo pelo conteúdo". Cada um existia para levar a audiência a um destino.

O que os números não contam

Três ressalvas honestas. Primeira: os 35 mil protocolos são um caso que eu vivi, com números internos da operação, não um estudo público auditado. Tome como experiência de campo de quem operou o canal, que é o que eu posso oferecer. Segunda: os totais de usuários do YouTube (2,7 bilhões no mundo, 144 milhões no Brasil) vêm de levantamentos de mercado e pesquisas amostrais, não de divulgação oficial detalhada da plataforma, e variam um pouco conforme a fonte. Terceira: engajamento não é venda. Os 636 mil engajamentos da Growth medem interação, e a conexão entre esse volume e o faturamento é uma leitura minha de estrategista, não um dado divulgado pela empresa.

Nada disso muda o fundamento: atenção diária de 8 em cada 10 usuários brasileiros é matéria-prima de venda para quem trabalha o canal com intenção.

Como aplicar na sua marca

Se você tem marca de suplementos, saúde, performance ou lifestyle, três perguntas para testar se você está usando o YouTube como canal de vendas ou como passatempo:

  1. O seu conteúdo responde ao que o cliente busca? Liste as 20 perguntas que o seu público digita no YouTube e no Google sobre a dor que o seu produto resolve. Se você não tem um vídeo para cada uma, o seu concorrente pode ter.
  2. Cada vídeo tem um destino? Vídeo sem oferta conectada é entretenimento. Defina para onde cada conteúdo leva: página de produto, lista, WhatsApp, lançamento. Sem destino, não há aquisição.
  3. Você está construindo acervo ou pagando aluguel? Compare quanto do seu orçamento vai para anúncio que some com o orçamento que constrói vídeos que vendem por anos. O tráfego pago escala o que funciona; o evergreen é o que sobra quando a verba acaba.

Enquanto você decide, tem cliente com uma dor que o seu produto resolve pesquisando a solução no YouTube agora. Quem vai aparecer na resposta: a sua marca ou a do concorrente?

Perguntas frequentes

O YouTube funciona como canal de vendas?

Sim. O YouTube funciona como canal de vendas porque combina busca ativa (o usuário pesquisa a própria dor), acervo permanente (vídeos continuam ranqueando e vendendo por anos) e alcance massivo: são 144 milhões de usuários no Brasil, com 8 em cada 10 acessando diariamente. A condição é tratar cada vídeo como resposta a uma busca, com uma oferta conectada no destino.

O que é conteúdo evergreen?

Conteúdo evergreen é o conteúdo que não perde validade porque responde a uma pergunta que o público nunca para de fazer, como "qual suplemento tomar para emagrecer". Diferente do anúncio, que some quando a verba acaba, um vídeo evergreen bem posicionado continua gerando tráfego e vendas 3 ou 4 anos depois de publicado.

Quantos usuários o YouTube tem no Brasil?

O YouTube tem cerca de 144 milhões de usuários no Brasil, o que faz do país o terceiro maior público da plataforma no mundo, atrás de Índia e Estados Unidos. Segundo pesquisa da Opinion Box de 2025, 8 em cada 10 usuários brasileiros acessam a plataforma pelo menos uma vez por dia e 47% passam mais de 5 horas semanais nela.

Marcas de suplementos dão certo no YouTube?

Dão, quando tratam o canal como aquisição e não como vitrine. A Growth Supplements foi a marca mais engajada do YouTube Brasil em janeiro de 2024, com 636 mil engajamentos, à frente de gigantes como Guaraná Antarctica e Mercado Livre. E na minha experiência direta, uma estratégia de vídeos com oferta conectada vendeu mais de 35 mil protocolos de treinamento sem tráfego pago.